segunda-feira, 17 de junho de 2013

Trabalho para entregar em 03/07/2013

Trabalho para entrega em 03 de julho de 2013



Fazer um trabalho a respeito do artigo do Eduardo Medicht publicado no texto abaixo, acerca da importância da formação do Jornalista

        9º Encontro do Forum Nacional de Professores de Jornalismo

Palestra de Abertura

Novas e velhas tendências: os dilemas do ensino de jornalismo na sociedade da informação

Eduardo Meditsch, professor da UFSC, doutor em Jornalismo

Pensar em novas tendências no ensino do jornalismo passa por pensar este ensino no contexto da nascente sociedade da informação. Um estudo recém realizado pela revista The Economist, com mais de mil executivos de empresas de todo o mundo, aponta a Gestão do Conhecimento como a questão mais importante para a sociedade, a economia e as organizações nos próximos 15 anos (The Economist, 2006). O diferencial competitivo apontado por eles está no conhecimento e nas redes de relacionamento: buscar, recolher, selecionar, processar, conhecer e compartilhar informação se tornou o essencial. Conhecidos agora os limites da tecnologia em algumas áreas, especialmente na inteligência artificial, ficou claro onde os seres humanos não poderão ser substituídos com vantagem pelas máquinas. Isto determina a centralidade do trabalho intelectual no processo produtivo. Se a era industrial precisava de mão de obra para tocar as máquinas mecânicas e elétricas, a era do conhecimento vai requerer cérebros operantes,  para extrair da informação o que ela pode dar da melhor.

         Sem dúvida, esta perspectiva representa um grande momento para um ofício que tem pelo menos quatro séculos de experiência em trabalho intelectual com a informação. Uma profissão que desenvolveu métodos, técnicas e deontologia amadurecidas para a apuração, seleção, checagem, processamento, apresentação e compartilhamento da informação. Que possui competência  (conhecimentos, habilidades, atitudes) para a ‘cognição situada’, sob pressão do tempo e do espaço, um treinamento cada vez mais valorizado quando a informação requerida para a tomada de decisões trafega em velocidade próxima à da luz.  Uma profissão que desenvolveu um modelo mental extremamente eficaz para  identificar e reconhecer o novo e o relevante. Exemplos dos novos horizontes desta profissão podem ser encontrados por exemplo na Universidade de Kent, nos Estados Unidos, onde pesquisadores de jornalismo estão trabalhando em parceria com colegas da informática e das ciências da informação no desenvolvimento de uma ergonomia informativa  informative ergonomics – uma técnica para fornecer ao usuário a informação certa, na hora certa, no local certo, na forma e na profundidade adequadas a sua necessidade.

            Esta perspectiva que se abre, no entanto, contrasta com a fragilidade e o pouco reconhecimento do ofício, expressos na baixa remuneração e na dificuldade de seu reconhecimento entre as profissões regulamentadas e auto-reguladas, problemas que tem enfrentado a nível internacional.
         E como se porta o ensino de jornalismo diante desta nova era: como tem contribuído? Eu diria que novas e velhas tendências se defrontam em nossas escolas. Um exemplo me ocorre com um pedido que recebi há algumas semanas de formandos em jornalismo de uma prestigiada universidade pública brasileira, e que pedi licença para citar aqui, sem identificar os autores: 

 

Prezado Prof.:
Estamos nos formando em jornalismo e, como projeto final, decidimos discutir e analisar alguns mitos sobre o jornalismo na atualidade. Trabalhamos com algumas idéias comuns sobre a produção da notícia, a notícia, o jornalista e a indústria jornalística. Por exemplo, um dos conceitos que pretendemos desmistificar é o de que "a notícia é um reflexo da realidade". O projeto final deste trabalho será uma breve introdução a esses mitos com referências de pesquisa para o público universitário fora da área de Comunicação Social. Precisamos, assim, das melhores referências teóricas que possam ser fornecidas. O que você considera essencial desmistificar sobre o jornalismo, o jornalista e/ou a notícia? Cite pelo menos 3 importantes "mitos jornalísticos" que deveriam ser quebrados.


Pensando na solicitação destes formandos, lembrei de uma frase do filósofo Bertrand Russel: “Antes de pensar em como educar, convém esclarecer quais os resultados que se pretende obter.” Será objetivo do ensino do jornalismo ‘desmistificar’ (negar) ou aperfeiçoar (afirmar) o jornalismo? É neste sentido que podemos identificar velhas e novas tendências presentes em nossas escolas.

Já tem 35 anos a pesquisa sobre jornalismo  realizada pela American Newspaper Publishers Association, em 1971, mas algumas de suas constatações seguem atuais:

    “as faculdades se isolaram do mundo do jornalismo. A ênfase na análise crítica da mídia abalou a confiança dos estudantes, destruiu seus ideais e substituiu-os pelo cinismo”

    o divórcio entre meio profissional e acadêmico já tem várias gerações. Só 14% dos professores consideram importante fazer pesquisa para aprimorar a mídia.

O professor John Maxwell Hamilton, da Louisiana State University, afirmou em um debate, em  2001, que o custo das oportunidades perdidas por este divórcio estava ficando intolerável, pois um lado precisava do outro. E observava:

    A universidade se isolou da realidade graças a um sistema de auto-validação, e defende ciumentamente esta autonomia

    diferente das ciências humanas, a missão das escolas de jornalismo é formar práticos

    embora persigam o prestígio de outras disciplinas, as faculdades de comunicação não competem na criação de teorias próprias, só na aplicação

    os problemas estão aí para aplicação: tecnologia, financiamento, livre informação

    a indústria tem necessidade de pesquisa, se as faculdades de jornalismo não a fizerem, outros setores acadêmicos vão tomar este espaço.

Com isso ele reforçava as conclusões de um longo estudo concluído cinco anos antes, em 1996 e publicado com o título The Winds of Change, Challenges Confronting Journalism Education.

Esta pesquisa, patrocinada pelo Freedom Fórum, e coordenada pela jornalista Betty Medsger, ex-reporter do Washington Post, atualmente professora da Columbia, foi executada pela Universidade de Connecticut e ouviu por telefone 1041 jornalistas e 500 recrutadores de jornalistas nas empresas, além de fazer uma longa entrevista com 446 professores de jornalismo por email.

    A conclusão chegada foi de que “Os ventos da mudança são fortes”, e de que há dúvidas se eles vem para o bem ou para o mal:

    A principal tendência é a transformação dos cursos de jornalismo em comunicação, e a diminuição das disciplinas de jornalismo dentro delas

    Jornalistas e professores estão confusos sobre o que será a profissão no futuro

    Pressupostos de que o jornalismo é uma atividade intelectual e de que o jornalismo é fundamental para a democracia já não são consensuais

A pesquisa aponta para uma dicotomia e falta de integração entre a visão acadêmica e a profissional, já constatada por vários outros autores de nossa área em outros países:

     Ensino de Jornalismo ameaçado pela sobrevalorização dos PHDs em relação à experiência e à competência profissional dos professores como jornalistas.

     57% dos novos jornalistas dizem que seus melhores professores foram os que tinham experiência prática e não PHD, 31% dizem que os melhores eram os que tinham os dois

     Só 3% dos recrutadores reconhece competência nos professores de jornalismo sobre as novidades e tendências da atividade, e só 3% os consulta sobre estas questões.

     Os recrutadores tem visão diametralmente oposta às escolas sobre o que deve mudar no ensino de jornalismo. As sugestões deles não tem correspondência com o que as escolas estão pensando em fazer.

A pesquisa atribui grande parte do problema ao modelo norte-americano de avaliação das faculdades, uma certificação dirigida por uma associação de escolas:

    A certificação das escolas só valoriza aspectos acadêmicos e cobra pesquisa científica dos professores, enquanto as escolas que mais colocam jornalistas no mercado de trabalho tem menor percentagem de PHDs;

    O processo de certificação não considera ou considera pouco o que os jornalistas e professores mais valorizam: qualidade do texto dos alunos e do ensino de redação, qualidade dos órgãos laboratoriais, e ensino de ética.

    O processo de certificação limita as disciplinas específicas em no máximo 25% do currículo. 

As recomendações das visitas de certificação citadas são (USA):

    Escolas devem produzir mais pesquisa e ter mais doutores no corpo docente

    Pesquisa jornalística não tem validade

    Professores devem perder menos tempo com alunos

    Professores devem perder menos tempo lendo e criticando textos de alunos

    Professores devem escrever mais artigos acadêmicos e menos jornais universitários

Estes critérios, segundo o estudo, refletem o desprestígio da prática profissional que prevalece no meio acadêmico:

    Muitos professores consideram a prática como “ensino técnico”, desconsiderando seu aspecto intelectual

    Preconceito não tem paralelo em outras profissões de ciência aplicada, como na saúde, engenharia, administração, etc.

    Ridicularizam valores profissionais

    Consideram menos importante preparar jornalistas para a profissão

    52% dos novos jornalistas relata que algum professor lhe disse que a profissão não tem futuro ou está morrendo, e 63% que os professores consideram o jornalismo uma atividade degradada

A conclusão geral do estudo é de que o ensino do jornalismo está vulnerável por vários fatores:

·        À tomada do seu espaço pela ciência da Comunicação

·        A seu próprio fracasso para justificar e defender o campo

·        A sua dificuldade para emplacar na vida acadêmica

·        A seu complexo de inferioridade enquanto atividade intelectual

·        Ao descaso das organizações jornalísticas

E o Winds of Change deixa algumas recomendações para as escolas:

     Criar uma cultura jornalística

     Entender e usar as novas tecnologias sem perder o foco jornalístico

     Afirmar o jornalismo como atividade intelectual e os jornalistas como educadores

     Reconhecer os melhores jornalistas como presença necessária na comunidade acadêmica

     Motivar professores para pesquisas, escrever e publicar sobre jornalismo

     Desenvolver escolas de pensamento e prática

     Criar programas de pós-graduação focados no jornalismo

     Educar estudantes para pensar criticamente

     Preparar estudantes para serem profissionais de vanguarda

     Mudar os critérios de certificação

Cinco anos depois deste estudo, em 2001, a professora Loren Ghiglione, da Northwestern University, observa que as tendências se mantém:

    Muitas universidades americanas estão marginalizando o ensino de jornalismo - tiraram até o nome (recomendação de 1994)

    Há contradição entre buscar respeito acadêmico e atender necessidades dos alunos

E adverte:

    para a saúde da democracia, ensino de jornalismo tem que perseguir excelência, ser extremamente ambicioso

Aqui no Brasil, como já apontei em trabalhos anteriores, inclusive aqui no Fórum, ocorre um processo semelhante:

    A partir do Ciespal, Jornalismo é incluído na área de Comunicação, em busca de reconhecimento político e acadêmico;

    Descolamento da teoria com a prática e da pós-graduação em relação aos objetivos da graduação

    Ausência de áreas de concentração e linhas de pesquisa em jornalismo

    Rejeição crescente ao caráter aplicado da disciplina

    Conjunção de interesses da perspectiva acadêmica com o barateamento da universidade

    Processo de avaliação que já não certifica competência

Tanto aqui como lá, o jornalismo e seu ensino são colocados à prova pelo que uma escritora francesa chamou de “o horror econômico”, a quem interessa este barateamento de um e outro e que se caracteriza por alguns aspectos:

    Reducionismo prático, não teórico

    Produtividade em função de resultado econômico imediato (marketing, barateamento)

    Desregulamentação, desregulação

    Desarticulação reforçada pela ausência do interesse público como referência

    Direitos, garantias, progressos, suprimidos pelo interesse do capital

É surpreendente que haja uma conjugação de interesses entre esse capital e setores das ciências humanas representadas na universidade. Surpreendente porque são as ciências humanas que fazem uma crítica mais bem estruturada da dominação da sociedade contemporânea. São áreas acadêmicas sérias, bastante consistentes, mas que parecem às vezes perder o pé da realidade ao analisarem um objeto de que pouco entendem, como é o jornalismo, mas se sentem à vontade para fazê-lo porque esta é uma terra de ninguém. Aí, se transformam numa  crítica diletante. O mestre Paulo Freire já apontava algumas razões para esta falha:

    Teoria colonizada: outras perspectivas, outras realidades

    Distanciamento da realidade: balé dos conceitos, inversão de método

    Impotência teórica na pesquisa: irrelevância em relação aos problemas propostos

    Negação da realidade e do jornalismo

Mas se essa crítica vinga, é porque não encontra muitas vezes quem se contraponha seriamente a ela. A miopia tecnicista é uma doença ocular comum entre os profissionais que se tornam professores de jornalismo, e tem algumas características;

    Negação da possibilidade teórica: não distingue

    Rejeita a literatura e ignora a tradição em que poderia se apoiar

    Não critica, não cria: se deslumbra e reproduz

    Referência nos manuais sem compreender suas razões de ser

    Não resiste à crítica, torna-se desatualizada

    Não defende o território

Para complicar ainda mais, enfrentamos um vendaval tecnológico em que parece se confirmar a celebre frase de Marx sobre a modernidade, depois transformada em título de best seller: Tudo que é sólido desmancha no ar.

    O jornalismo na encruzilhada da informação: emerge ou submerge com a mídia

    Midiamorfose, re-mediação, interatividade, participação

    Empresas batem às portas das universidades, e não encontram o que necessitam

    Perspectiva de mutação desafia a ensinar novas coisas

    As escolas não têm claro o que nem como ensinar

Por isso, já há dez anos o professor Philip Meyer, da University of North Carolina, advertia que o jornalismo precisa de PHDs. A incerteza que acompanha a mutação tecnológica levava ele a resgatar a idéia da universidade humboldtiana (Berlim, 1810): só pesquisadores conseguem acompanhar o conhecimento em mutação. A unidade indissolúvel ensino-pesquisa é a única saída possível. O ensino e a pesquisa devem perseguir a qualidade do jornalismo – adotando uma perspectiva profissional. A dicotomia entre teoria e prática tem que ser superada.

         A perspectiva profissional pode ser caracterizada por algumas posturas:

    Valorizar a tradição e a cultura jornalística, recuperando a literatura específica

    Reforçar os valores da profissão (interesse público, liberdade, independência, busca da verdade, rigor, ética)

    Distinguir entre os objetivos da profissão (sociais) e os objetivos da mídia (comerciais) e da comunicação (privados)

    Defender o reconhecimento profissional (regulamentação e auto-regulação)

    Colocar as questões de pesquisa a partir desta perspectiva específica (distintiva e aplicada)

A professora Lana Rakow, da University of North Dakota, chama a atenção para a questão do profissionalismo:

    Velho debate: o que e como ensinamos

    profissionalismo identificado com performance, mas vai além

    Novo debate: por que e para quem ensinamos?

    Princípios profissões x indústrias

    Melhorar o padrão do jornalismo

    Cliente é o público, não a indústria

O professor Tom Jacobson, da  Buffalo University, observou no mesmo debate que

    Conhecimento essencial ao jornalista se tornou mais rigoroso e mais complexo

    Livros sacros do jornalismo devem ser preservados como livros sacros cristãos na Idade Média

Além disso, educadores como o brasileiro Paulo Freire apontam alguns desafios para essa perspectiva profissional:

    Abrir as caixas pretas das tecnologias (logos)

    Desvelar as técnicas enquanto ‘teorias cristalizadas’

    Inverter o método tradicional de produção acadêmica (prática-teoria-prática)

    Transformar cursos de comunicação em cursos de conhecimento (aprender a aprender)

    Ensinar a apreender a realidade (ler o mundo para reescrevê-lo) aproximando-se dela a partir de um lugar específico

    Perceber que a realidade não está dada, mas dando-se a partir desses desafios e do aprendizado que fizemos neste percurso, é possível sugerir alguns caminhos, que resumo num título que utilizei há alguns anos para discutir esta questão: crescer para cima e não para os lados. Na formação profissional,

    Consolidar competências x a tentação do ‘jornalista polivalente’

    A questão da assessoria de comunicação

    O universo da produção de conteúdo

    O profissional que aprende a escrever

    O desafio da gestão da informação e da gestão do conhecimento

    Maior consistência (na especificidade) gera maior adaptabilidade

    Distinguir profissão (funções exclusivas) de ocupações (funções compartilhadas)

Esta tarefa é facilitada pelo renascimento do jornalismo como campo acadêmico, que é muito claro aqui no Brasil:

    Espaço nas entidades: Fenaj, GTs Intercom, Alaic, Compós, FNPJ, SBPJor, ICA...

    Revistas Acadêmicas Especializadas: Pauta Geral,  PJ-Brasil, EJM, BJR, Journalism, Journalism Studies, EMP (Madrid)...

    Pós-Graduação em Jornalismo: UnB, UFSC, Unicamp, USP, UFSM...

    Project for Excellence in Journalism (Columbia, USA); The Reuters Institute for the Study of Journalism (Oxford, UK)...

-   Redes nacionais e internacionais

 No entanto, ainda há um longo caminho para o jornalismo ser levado a sério na academia, não tanto como propõe a professora norte-americana Barbara Zelizer, mas principalmente como o brasileiro Elias Machado, nosso presidente da SBPJor:

    Demarcar a sua especificidade epistemológica

    Elevar o nível de sua prática científica

    Não ignorar, mas recolocar as questões suscitadas pelos estudos de jornalismo realizados por outras disciplinas (desmistificar a desmistificação do jornalismo)

    Construir teorias e metodologias próprias

    Sistematizar, criticar (por dentro) e aperfeiçoar as competências (conhecimentos, habilidades, atitudes) da prática

Há também um caminho a percorrer para as escolas serem levadas a sério no meio profissional do jornalismo:

    Consolidar o jornalismo como disciplina de direito próprio

    Elevar o nível de sua prática científica

    Se aproximar da realidade

    Buscar respostas aos problemas relevantes para a profissão

    Projetar e construir competência profissional para o presente e o futuro, assumindo a vanguarda tecnológica

    Distinguir a qualidade no jornalismo, apontando erros e alternativas pragmáticas 

Por fim, gostaria de deixar esta impressão de que “passará a mídia, mas o jornalismo não passará”. Mas para que ele sobreviva à era da informação é preciso estarmos preparados, e esta preparação passa pela universidade:

     Não pode haver contradição nem distanciamento entre teoria e prática (se a teoria na prática é outra, está errada a teoria, dizia Adelmo)

     É possível que todas as formas de mídia e de seu controle que conhecemos hoje, inclusive a internet, desapareçam ou passem por transformações profundas durante a vida profissional de nossos atuais alunos, mas a informação e sua expressão vão continuar existindo e requerendo tratamento profissional.

     Não é razoável desprezar as competências técnicas, processuais, metodológicas e deontológicas desenvolvidas historicamente na profissão, que representam  seu principal patrimônio no novo contexto: em vez disso, é preciso sistematizá-las em teorias e modelos com base científica e aplicação tecnológica, antes que outros aventureiros o façam.

     É preciso ter claro que o jornalista é acima de tudo um intelectual e a capacidade crítica sua principal competência técnica.

     É preciso defender o território e lutar pelo crescimento do campo, pelo seu reconhecimento e auto-estima, recuperando o espírito de corpo, com competência teórica, pedagógica e técnica, de forma articulada, tanto a nível nacional  quanto internacional, através das entidades e redes profissionais, de ensino e de pesquisa. O Brasil tem hoje um papel de vanguarda nesta luta.

Referências: 
FENAJ
1997    Programa nacional de estímulo à qualidade da formação profisssional dos jornalistas.. Vila Velha, Fenaj.
2002  A Formação Universitária do Jornalismo. Florianópolis, Cátedra UFSC/Fenaj.
FORRESTER, Viviane
         1997 O horror econômico. São Paulo, Unesp.
LAGE, Nilson
1999 “A formação universitária dos jornalistas”. Palestra no II    Encontro Latino-Americano de Professores de Jornalismo, São Paulo.
2001 “O ensino e pesquisa do jornalismo no século XXI” Palestra de abertura do IV Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo. Campo Grande.
LÓPEZ, XOSÉ
2003 “Desafios na formación de comunicadores para a era dixital. Panorama diante da aplicación do documento de Bolonia: viaxe de Santiago ás capitais da Unión Europea”. Palestra ao I Encontro Nacional sobre Ensino de Jornalismo em Portugal. Braga, Universidade do Minho.
MEDSGER, Betty
1996 Winds of Change: Challenges Confronting Journalism Education. Arlington, The Freedom Forum.
MEDITSCH, Eduardo.
1992  O Conhecimento do Jornalismo. Florianópolis, EDUFSC.
2002 “Elementos para uma história do projeto pedagógico do Curso de Jornalismo da UFSC”. Comunicação ao VI Forum Nacional de Professores de Jornalismo. Porto Alegre.

2003 A formação para a praxis profissional do jornalista: uma experiência brasileira inspirada em Paulo Freire. Palestra no I Encontro Nacional sobre o Ensino de Jornalismo em Portugal. Braga, Universidade do Minho.

MELO, José Marques de
2000 “Jornalismo e universidade: uma longa história de conflitos”. Jornal da ABI, Especial 90 Anos.
2004  “Os primórdios do ensino de jornalismo”. Comunicação ao II Encontro Nacional da Rede Alfredo de Carvalho. Florianópolis, 2004.
MEYER, Philip
1996  'Why Journalism Needs PhDs', The American Editor,  September 1996
MOURA, Cláudia Peixoto de
2002 O Curso de Comunicação Social no Brasil: do currículo mínimo às novas diretrizes curriculares. Porto Alegre, EDIPUCRS.
NIXON, Raymond
1971 Education for Journalism in Latin America: A report of Progress. Minneapolis, Minnesota Journalism Center.
REESE, Stephen et al.
2001 “Education for Journalism and Communication in the Crossroad”. Journalism and Mass Communication Educator 56/3, Autumn 2001
RODRIGUEZ, Elena Real
2005  Un intento por clarificar los actos proprios del ejercicio periodístico. Estudios sobre el Mensaje Periodístico, 11, 129-151
THE ECONOMIST
2006  “Foresight 2020: Economic, Industry and Corporate Trends. A report from The Economist Intelligence Unit.” Disponível em http://a330.g.akamai.net/7/330/2540/20060418195140/graphics.eiu.com/files/ad_pdfs/eiuForesight2020_WP.pdf
TRAQUINA, Nelson
2004 O ensino de jornalismo perante os desafios da transição tecnológica. Palestra ao VII Forum Nacional de Professores de Jornalismo. Florianópolis, 2004
O trabalho deverá ter no mínimos 60 linhas, obedecendo as regras da ABNT:
Espaço da margem à esquerda de três centímetros
À direita de dois centímetros
Três centímetros no alto
Dois centímetros no "pé".

segunda-feira, 13 de maio de 2013

AVISO - aula de 15/05

No próximo dia 15/05, nossa aula terá três horas, para a exibição do vídeo e discussão do mesmo. Por este motivo, não haverá a aula do prof. Fábio Iório, que compensará na próxima quarta-feira, no horário da disciplina Redação e Expressão ...
 

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Trabalho para entregar dia 22 de maio de 2013

  Em 60 linhas, fazer uma análise acerca dos artigos abaixo, dando a sua opinião se, em relação a eles, a lei é cumprida, dizendo quem deve ser responsabilizado: o Estado, o governo ou a sociedade.

 

Direitos e Garantias Fundamentais da Constituição brasileira




TÍTULO II
Dos Direitos e Garantias Fundamentais
CAPÍTULO I
DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;
<p
III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva;
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;
XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial;
XXII - é garantido o direito de propriedade;
XXIII - a propriedade atenderá a sua função social;
XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;
XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor;
XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado; (Regulamento)
XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas:
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder;
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal;
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;
LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;
CAPÍTULO II
DOS DIREITOS SOCIAIS
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.
IV - salário mínimo , fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim;
XXX - proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil;
XXXI - proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência;

Aula de 08 de maio de 2013



Restrições verbais nos Leads

            Ao privilegiar as transformações que ocorrem no mundo objetivo, o lead, proposição principal da notícia, passa a obedecer as restrições verbais específicas. A primeira delas, segundo Lage, relaciona-se ao aspecto verbal.
            Na estrutura interna do lead clássico, como proposição completa tem como núcleo um sitagma verbal e contém um sujeito, complementos do verbo e quatro ou cinco circunstâncias. Assim, a regra específica de ordenação dessas notações compreende dois itens:
a)      Não se começa pelo verbo;
b)      Começa-se pelo sintagma nominal ou circunstancial mais importante.
Se a mais importante ou interessante é o sujeito ou a ação em si, usa-se a ordem direta, isto é, começa-se pelo sujeito.

Notícias sobre textos ou entrevistas

Segundo Lage, “é comum produzirem-se em jornais notícias com base em textos – de discursos, relatórios – ou entrevista de um personagem que considera importante citar por toda a matéria.
            “O procedimento, aí, obedece a uma sequência:
a)      ouve-se ou lê-se o depoimento ou texto, integralmente;
b)      assinalam-se as proposições principais;
c)      ordenam-se essas proposições principais da mais importante para a menos importante;
d)     constrói-se a matéria com a proposição mais importante, acompanhada das circunstâncias de produção do texto-base, ocupando o lea. Nos demais parágrafos, altternam-se construções em discurso direto e indireto. Varia-se, quando adequado, o verbo dicendi (disse, afirmou, declarou, pergutou, manifestou-se etc). Os entretítulos são distribuidos como em qualquer outra notícia destinada à veiculação impressa;
e)      segmentos de interesse secundário podem ser suprimidos ou reduzidos a uma frase referencial (do tipo historiou os antecedentes... ou e4specificou as despesas previstas...) Distribuem-se ao longo da matéria circunstâncias que não caibam no lead ou observações incidentais de uma entrevista noticiada.
           Este procedimento de resumo permite a produção de matérias de qualquer tamanho sobre texto-base ou entrevista, assegurando que as proposições mais importantes não sejam suprimidas.”
            Lage também explica que “no jornal moderno, destinado ao público em geral, os fatos são abordados mais por seu aspecto social, econômico ou político. Mas certos setores de atividade, como a informática ou o direito, interferem a tal ponto na vida das pessoas que se torna indispensável manter cobertura permanente, penetrando até em detalhes técnicos.”
            Lage também ressalta que “nem sempre a fonte é citada na notícia jornalística ou mesmo no lead. A menção torna-se dispensável quando se trata de informação não-polêmica, prestada por entidade ou em caráter oficial. A menção no lead é, pelo contrário, obrigatória quando a proposição citada é opinativa, interpretativa ou informa sobre tema controverso.”

A notícia hoje e amanhã

            Fazer notícia é mais fácil do que explicar como se faz. Lage diz que “aprende-se a escrever notícia como se aprende a andar: exercitando e levando tombos. Por isso, quem quiser ser jornalista deve ler por hábito e mante-se informdo; frequentar bons autores, a gramática e o dicionário; contar por escrito o que vê e pode ser interessante para alguém; resumir documentos; interrogar pessoas; colher e processar informações; vencer a inibição; cuidar de ser confiável. Tudo isso até ficar bom, muito bom, perfeito.”

Notícia e reportagem

            Apesar de ter escrito seu livro em 1985, Nilson Lage já intuia o futuro do jornalismo com a utilização do computador como meio. Naquela época ele já perguntava: “Terá longo futuro a notícia em jornal diário ?” Ele mesmo respondia: “ Provavelmente não. Sua sobrevivência, aí, depende do grau de conntrole político e do desenvolvimento da mídia eletrônica, que é mais veloz, eficiente e não gasta papel. Mas a notícia escrita sobreviverá em veículos especializados, ainda que chegue ao consumidor em via eletrônica, projetada em terminais de vídeo: para muitas áreas de conhecimento abstrato, a leitura ainda é a melhor maneira de adquirir informação sobre as transformações que ocorrem.”
Ele também acredita que “o futuro do jornal parece estar mais ligado à reportagem. Esta palavra tem dois sentidos: por um lado, designa o setor das redações que trata da apuraão e codificação de dados, em geral; por outro, um gênero jornalístico diferente da notícia por vários aspectos. O primeiro deles é que a reportagem não cuida da cobertura de um fto ou de uma séie de fatos, mas do levantamento de um assunto conforme ângulo preestabelecido. Noticia-se que um goveno foi deposto; fazem-se  reportagens sobre a crise político-institucional, econômica, social, sobre a reonfiguração das relações internacionais determinada pela substituição do governante, sobre a conspiração que levou ao golpe, sobre um ou vários personagens envolvidos no episódio etc.
Assim, podemos dizer que, na prática, o projeto do texto define-se a partir da pauta, que estabelecerá se teremos uma reportagem ou uma notícia. Em relção às notícias, as pautas são indicações de fatos programdos, da continuação (suíte) de eventos já ocorridos e dos quais se espera desdobramento. No restante, os istemas de captação de notícia mantêm contato permanente com os setores que registram primeiro acontecimentos de interesse público, desde o parlamento até a delegacia de polícia.
Reportagens supõem outra forma de planejamento. Os assuntos estão sempre disponíveis (a informação é matéria prima abundante, como o ar, e não carente, como o petróleo) e podem ou não ser atualizados por um acontecimento. Podemos citar como exemplo o STF (Supremo Tribunal Federal). Faz-se uma reportagem acerca do julgamento do mensalão. A pauta deve indicar de que maneira o assnto será abordado, que tipo e quantas ilustrações, o tempo de apuração, os deslocamentos da equipe, o tamanho e estilo da matéria; para tudo isso, é preciso dispor de dados. Se possível, deixar fontes de sobreaviso para consultas em relação ao regimento interno da corte e das leis.
O estilo da reportagem é menos rigoroso do que o da notícia: varia de acordo com o veículo, o público, o assnto. Podem-se dispor as informações por ordem decrescentes de importância, mas também narrar a história, “como um conto ou fragmento de romance”, diz Lage. Nas revistas ilustradas, é comum o editor tomar como ponto de partida para os textos as fotografia (muitas vezes o editor se preocupa mais com as fotos do que com o texto); em certos casos, admite-se que o repórter conte o que viu na primeira pessoa. A linguagem também é mais livre. Alguns autores, poucos, adotam técnicas literárias para a abordagem mais humana e reveladora da realidade.
Exitem reportgens onde predominam a investigação e o levantamento de dados (como o caso de Watergate); em outras, a interpretação. Neste caso, é comum que apenas os jornalistas especializados sejam os responsáveis na interpretação de dados, pois envolve uma certa competência analítica que poucos realmente têm e muitos, segundo Lage, “por presunção, se atribuem.”
De qualquer maneira, existe sempre alguma interpretação nas reportagens. O importante é que se respeitem os fatos, dos quais não se pode discordar, e se de ao leitor, com humildade, o direto de avaliá-los segundo seu próprio repertório, seus valores.