quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Média final antes de confirmarem notas dadas


Notas de Redação e Expressão em Jornal Impresso
      Nota mais     
  1º trab. 2º trab. alta Matéria Nota final
Ana Carolina 10,0 9,0 10,0 9,5 9,8
André Luis Tropiano       6,5 3,3
André  Luis Cansado 0,0 9,5 0,0   0,0
André Luís Medeiros         0,0
Bruna 8,5 8,5 8,5 8,5 8,5
Daiana 9,5 10,0 10,0 9,5 9,8
Daniel 8,5 8,5 8,5 6,0 7,3
Eduardo 9,0 9,8 9,8 5,0 7,4
Gabriela 9,7 0,0 4,4 9,5 7,0
Guilherme 9,5 9,0 9,5 8,0 8,8
Jackson 10,0 9,5 10,0 8,5 9,3
Jade 10,0 9,5 10,0 8,5 9,3
Joana 8,5 8,5 8,5 8,5 8,5
Jonas 9,5 8,5 9,5 8,5 9,0
Karina 10,0 9,5 10,0 8,5 9,3
Katia 8,0 6,5 8,0 8,0 8,0
Leandro  
    0,0
Linda Rose         0,0
Marlen 10,0 10,0 10,0 9,5 9,8
Milena 7,5 8,0 8,0 9,5 8,8
Paloma 9,5 7,5 9,5 9,5 9,5
Paola       9,0 4,5
Paulo Roberto  
    0,0
Pedro Henrique       10,0 5,0
Raquel Araujo 0,0 8,5 0,0 8,0 4,0
Renata 0,0 9,0 0,0 9,0 4,5
Samantha 9,0 0,0 0,0 9,0 4,5
Tainah 0,0 9,7 0,0 10,0 5,0
Tayana         0,0
Tiago 8,5 9,5 9,5 6,0 7,8
Selésio 9,0 9,0 9,0 9,5 9,3

Obs.: Mais uma vez vou conferir se encontro notas não lançadas. Qualquer dúvida a partir das 17:45 h em sala de aula.










































































































































































































terça-feira, 6 de agosto de 2013

Atenção Atenção

Abaixo as notas dos dois primeiros trabalhos. Alguns não entregaram. Aqueles que, por um acaso, pegaram os trabalhos sem que eu lançasse a nota, favor trazer o trabalho corrigido para que a nota seja lançada na quarta-feira, dia 7/08 às 18 horas, início da prova final para quem tiver que fazer.


Notas de Redação e Expressão em Jornal Impresso
      Nota mais 
  1º trab. 2º trab. alta
Ana Carolina 10,0 9,0 10,0
André Luis Tropiano  
 
André  Luis Cansado 0,0 9,5 0,0
André Luís Medeiros  
 
Bruna 8,5 8,5 8,5
Daiana 9,5 10,0 10,0
Daniel 8,5 8,5 8,5
Eduardo 9,0 9,8 9,8
Gabriela 0,0 9,5 0,0
Guilherme 9,5 9,0 9,5
Jackson 10,0 9,5 10,0
Jade 10,0 9,5 10,0
Joana 8,5 8,5 8,5
Jonas 9,5 8,5 9,5
Karina 10,0 9,5 10,0
Katia 8,0 6,5 8,0
Leandro  
 
Linda Rose  
 
Marlen 10,0 10,0 10,0
Milena 7,5 8,0 8,0
Paloma 9,5 7,5 9,5
Paola  
 
Paulo Roberto  
 
Pedro Henrique  
 
Raquel Araujo 0,0 8,5 0,0
Renata 0,0 9,0 0,0
Samantha 9,0 0,0 0,0
Tainah 0,0 9,7 0,0
Tayana  
 
Tiago 8,5 9,5 9,5
Selésio 9,0 9,0 9,0

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Trabalho final (matéria)

Entrega no dia 24/07/2013 até 19:00 h.
O prof. Fábio Iório dará aula a parir das 18:00 h.

Matéria do O Globo de 17/07/2013 em que Lula faz análise dos movimentos dos jovens




RIO - Em artigo distribuído pelo jornal americano “The New York Times” e publicado na sua versão on-line nesta terça-feira, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva explicou, segundo o seu ponto de vista, os motivos pelos quais milhões de brasileiros foram às ruas no mês junho. Para o petista, a onda de protestos só ocorreu por causa do “sucesso econômico, político e social” de seu governo. A análise sustenta que os jovens “querem mais”, pois viveram um momento de bonança econômica e pleno emprego. Em nenhum momento Lula cita as palavras de ordem contra a corrupção ou contra o dinheiro público gasto em estádios para a Copa do Mundo. Para Lula, os jovens querem participar da política. No texto, ele apoia a ideia de um plebiscito para a reforma política apresentada pela presidente Dilma Rousseff e defende uma reformulação do próprio PT, com a abertura de canais de comunicação para a juventude.

“Mesmo o Partidos dos Trabalhadores, que eu ajudei a fundar, e que contribuiu muito para modernizar e democratizar a política no Brasil, precisa de uma profunda renovação. É preciso recuperar suas ligações diárias com os movimentos sociais e oferecer novas soluções para novos problemas, e fazer as duas coisas sem tratar os jovens de forma paternalista”, diz ele, em artigo escrito em inglês.

Veja também
‘Para muita gente estou internado neste momento’, diz Lula sobre boatos a respeito de sua saúde
‘Feliz é o povo que vai às ruas querendo mais’, diz Lula ao elogiar atuação de Dilma diante dos protestos
Grupo da reforma política é instalado; só há consenso sobre apenas um tema
Pesquisa: avaliação positiva do governo cai de 54,2% para 31,3%
Rui Falcão defende reforma política como forma de prevenir questionamento ético em relação ao PMDB

O ex-presidente sustenta que os jovens não rejeitam a política:

“Muitos especialistas atribuem os recentes protestos a uma rejeição da política. Eu penso ser justamente o contrário (...) Eu só posso falar com autoridade sobre o meu país, o Brasil, onde eu acho que as manifestações são em grande parte o resultado do sucesso social, econômico e político. Na última década, o Brasil dobrou o número de estudantes universitários, muitos de origem pobre. Nós reduzimos a pobreza e a desigualdade. Estas são conquistas importantes. No entanto, é natural que os jovens, especialmente aqueles que têm coisas que seus pais nunca tiveram, desejem mais”, diz Lula logo no início do artigo. No fim do mês passado, Lula adotou o mesmo discurso e afirmou, na Etiópia, que “feliz é o povo que vai às ruas querendo mais”.

O ex-presidente afirma que a maioria das pessoas que estavam nas ruas não presenciou momentos como a hiperinflação ou a repressão da ditadura militar. Eles também “lembram muito pouco sobre os anos 1990, quando a estagnação e o desemprego afetaram nosso país”, diz Lula. O petista diz que, agora, os brasileiros querem transporte público com mais qualidade, para que “a vida nas grandes cidades seja menos difícil”.

Lula diz que é necessária uma reforma política.

“Eles (os jovens) exigem instituições políticas mais limpas e transparentes, sem as distorções políticas e eleitorais (...) A legitimidade dessas demandas não pode ser negada, mesmo que seja impossível contemplá-las rapidamente”.

Lula ressalta ainda que as manifestações só podem ser feitas em uma democracia. Regime este que possibilita a eleição, para presidente, de “um índio”, como na Bolívia (Evo Morales), ou de um “negro”, como no Estados Unidos (Barack Obama), ou de um “metalúrgico”, como no Brasil (ele próprio).

Lula defende uma participação mais direta do cidadão nas questões políticas do país.

“As pessoas não querem apenas votar de quatro em quatro anos. Elas querem interagir com os governos locais e nacionais, e tomar parte das decisões de políticas públicas, oferecendo opiniões e decisões que os afetem todos os dias”.

O ex-presidente diz que a vontade dos jovens impõe “um grande desafio aos líderes políticos”. Segundo ele, é preciso construir meios mais eficientes de participação, seja nas redes sociais, nos locais de trabalho, nas universidades e ou em grupos de comunidades locais.

“É dito com frequência, e com razão, que enquanto a sociedade vive na era digital, a política vive na era analógica”, diz Lula.

Ele ainda elogia Dilma:

“A outra boa notícia (além da participação dos jovens na política) é que a presidente Dilma Rousseff propôs um plebiscito para realizar a tão necessária reforma política. Ela também propôs um pacto para a educação, saúde e transporte público (...)”.

Em contraste com a declaração de Lula sobre os rumos do PT, ontem, o presidente do partido, Rui Falcão, em entrevista ao programa da TV Cultura, Roda Viva, disse que não está preocupado com a baixa participação de petistas nas ruas.

— O PT nunca saiu das ruas. Com o nível de emprego hoje, as pessoas estão trabalhando. Dificilmente teremos movimentos de massa semelhantes à década de 70. Houve muitos avanços nesses período e é este o legado que vamos estar afirmando nas eleições de 2014 — disse.

Nesta terça-feira durante almoço com os escritores Lira Neto e Fernando Morais, o ex-presidente Lula brincou com o fato de circularem na internet, durante a última semana, boatos sobre seu estado de saúde.

— Você sabe que para muita gente estou internado neste momento, não estou aqui conversando com vocês — brincou o ex-presidente.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Atenção. Atenção. Atenção. Entrega do trabalho dia 24/07

Ao contrário do que postei semana passada, teremos aula no dia 24/07. Assim, a entrega do trabalho está mantida no dia 24/07. Ou até o dia 24/07.Neste dia não será feriado. O resultado será entregue no dia 31/07. A prova final será no dia 07/08.
Não aceito trabalhos por e-mail.

ressalto que é importante ler o livro "Os sertões", que mostra como se faz uma boa e bela reportagem.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Como escrever uma reportagem

Em primeiro lugar, não temos lide em uma reportagem. O lide faz parte de uma notícia. Ela poderá ter, ou não, um nariz de cera. Vocês terão toda liberdade na estrutura do texto, que daremos nas próximas aulas.
Como disse em sala de aula, e no blog, o livro "Os sertões" é um exemplo. Uma reportagem tem o espírito da pesquisa, seja com entrevistas, com material de pesquisa, consultas na internet (desde que a fonte seja confiável) etc.
Um trabalho que passaria, mas que devido aos feriados não foi possível, poderá ser usado como conceito do que é Jornalismo, podendo ser utilizado para construir a estrutura da reportagem, que deve ter começa, meio e fim. Uma estrutura que o primeiro parágrafo leve o leitor a querer chegar ao final do texto.
Maiores explicações nas próximas aulas.

Data da entrega da reportagem

Marcamos o dia 24/07 para entrega da reportagem. Infelizmente não teremos aula devido ao feriado. A única possibilidade é entregar no dia 22/07 à noite e divulgação das notas no dia 31/7, ou entregar no dia 31/07, durante o horário da aula, com a divulgação da nota dia 05/08 à noite no mural em frente a secretaria, lembrando que a prova final é no dia 07/08.
Ou todos escolhem uma única data, até o dia 10/07, por unanimidade, ou eu escolho o que parecer melhor.

Porquê ler "Os sertões"



Os sertões (Euclides da Cunha)

         A importância dessa obra de Euclides da Cunha para o Jornalismo não é o fato de ser um livro épico de nossa literatura, tampouco por sua redação, menos ainda por ser um livro que retrata parte da história do Brasil. Para formação de um jornalista, “Os sertões” retrata com detalhes as origens de Canudos e a vida daquele povo.
Vale ressaltar que Euclides da Cunha escreveu esse romance depois da Guerra dos Canudos, que cobriu como enviado do jornal Província de São Paulo, hoje O Estado de São Paulo, em que escreveu acerca da guerra sob o ponto de vista oficial. Provavelmente sem perceber. O livro é uma espécie de mea culpa, após se dar conta do ocorrido, principalmente pela forma com que a guerra terminou.
       Assim, percebendo que escreveu sem um olhar crítico necessário para que as pessoas entendessem melhor o que acontecia, resolveu, sob um novo olhar, descrever o que ocorrera.
Os sertões também serve como parâmetro de uma grande reportagem. A sua leitura, por alunos de Jornalismo, deve ter um olhar acerca das diferenças da população daquela região, como, por exemplo, o atraso e a miséria, se comparado com São Paulo e Rio de Janeiro. Quantos jornalistas escrevem acerca da miséria tendo como referência os grandes centros ou as cidades que recebem mais recursos e atenção dos governantes ?
 No caso desse livro, será que Euclides da Cunha percebeu que existia uma grande distância dos anseios e necessidades dos que viviam em Canudos ? Será que recebiam a mesma atenção do Estado, antes e depois da proclamação da República ?
         Alguns críticos dizem que os importantes questionamentos e grandes formulações históricas, antropológicas, sociológicas e políticas para compreender o Brasil tiveram nesse livro o embrião das discussões.
         Nessa obra, Euclides da Cunha inclui importantes detalhes que devem fazer parte de uma reportagem: descrição da vida e a valentia de um jagunço, as condições de vida de um sertanejo, a geografia, a geologia e a zoologia. Incluindo uma análise dos aspectos da sociedade brasileira.
         Ao contar a fixação dos sertanejos no arraial de Canudos, o autor descreve como viviam cerca de 20.000 pessoas no local.
Este resumo de informações indica que o livro deve ser lido como uma grande aula de reportagem, mostra a importância da pesquisa para dar embasamento, além da necessidade de verificar que informações podem ser inseridas para dar melhor formação ao leitor.
         Pelos motivos acima, o livro “Os sertões” foi recomendado desde o primeiro dia de aula. Vale ressaltar que o mais importante na formação de um jornalista é ele mesmo; o que pretende fazer com o que aprendeu.
         O professor é um orientador, o aluno seu próprio formador. O grande mestre, a vida. O que se espera dela é que orientará seus deveres.

Atenção atenção. Não teremos aula dia 26/06

O reitor da UERJ avisou que amanhã, dia 26/06, será ponto facultativo a partir das 14 horas. Assim, não teremos aula. Com esta decisão, e mais o feriado de 24/07, devido à viagem do papa, teremos algum prejuízo no conteúdo da disciplina.
Procurarei compensar com material no blog.
Forte abraço

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Trabalho para entregar em 03/07/2013

Trabalho para entrega em 03 de julho de 2013



Fazer um trabalho a respeito do artigo do Eduardo Medicht publicado no texto abaixo, acerca da importância da formação do Jornalista

        9º Encontro do Forum Nacional de Professores de Jornalismo

Palestra de Abertura

Novas e velhas tendências: os dilemas do ensino de jornalismo na sociedade da informação

Eduardo Meditsch, professor da UFSC, doutor em Jornalismo

Pensar em novas tendências no ensino do jornalismo passa por pensar este ensino no contexto da nascente sociedade da informação. Um estudo recém realizado pela revista The Economist, com mais de mil executivos de empresas de todo o mundo, aponta a Gestão do Conhecimento como a questão mais importante para a sociedade, a economia e as organizações nos próximos 15 anos (The Economist, 2006). O diferencial competitivo apontado por eles está no conhecimento e nas redes de relacionamento: buscar, recolher, selecionar, processar, conhecer e compartilhar informação se tornou o essencial. Conhecidos agora os limites da tecnologia em algumas áreas, especialmente na inteligência artificial, ficou claro onde os seres humanos não poderão ser substituídos com vantagem pelas máquinas. Isto determina a centralidade do trabalho intelectual no processo produtivo. Se a era industrial precisava de mão de obra para tocar as máquinas mecânicas e elétricas, a era do conhecimento vai requerer cérebros operantes,  para extrair da informação o que ela pode dar da melhor.

         Sem dúvida, esta perspectiva representa um grande momento para um ofício que tem pelo menos quatro séculos de experiência em trabalho intelectual com a informação. Uma profissão que desenvolveu métodos, técnicas e deontologia amadurecidas para a apuração, seleção, checagem, processamento, apresentação e compartilhamento da informação. Que possui competência  (conhecimentos, habilidades, atitudes) para a ‘cognição situada’, sob pressão do tempo e do espaço, um treinamento cada vez mais valorizado quando a informação requerida para a tomada de decisões trafega em velocidade próxima à da luz.  Uma profissão que desenvolveu um modelo mental extremamente eficaz para  identificar e reconhecer o novo e o relevante. Exemplos dos novos horizontes desta profissão podem ser encontrados por exemplo na Universidade de Kent, nos Estados Unidos, onde pesquisadores de jornalismo estão trabalhando em parceria com colegas da informática e das ciências da informação no desenvolvimento de uma ergonomia informativa  informative ergonomics – uma técnica para fornecer ao usuário a informação certa, na hora certa, no local certo, na forma e na profundidade adequadas a sua necessidade.

            Esta perspectiva que se abre, no entanto, contrasta com a fragilidade e o pouco reconhecimento do ofício, expressos na baixa remuneração e na dificuldade de seu reconhecimento entre as profissões regulamentadas e auto-reguladas, problemas que tem enfrentado a nível internacional.
         E como se porta o ensino de jornalismo diante desta nova era: como tem contribuído? Eu diria que novas e velhas tendências se defrontam em nossas escolas. Um exemplo me ocorre com um pedido que recebi há algumas semanas de formandos em jornalismo de uma prestigiada universidade pública brasileira, e que pedi licença para citar aqui, sem identificar os autores: 

 

Prezado Prof.:
Estamos nos formando em jornalismo e, como projeto final, decidimos discutir e analisar alguns mitos sobre o jornalismo na atualidade. Trabalhamos com algumas idéias comuns sobre a produção da notícia, a notícia, o jornalista e a indústria jornalística. Por exemplo, um dos conceitos que pretendemos desmistificar é o de que "a notícia é um reflexo da realidade". O projeto final deste trabalho será uma breve introdução a esses mitos com referências de pesquisa para o público universitário fora da área de Comunicação Social. Precisamos, assim, das melhores referências teóricas que possam ser fornecidas. O que você considera essencial desmistificar sobre o jornalismo, o jornalista e/ou a notícia? Cite pelo menos 3 importantes "mitos jornalísticos" que deveriam ser quebrados.


Pensando na solicitação destes formandos, lembrei de uma frase do filósofo Bertrand Russel: “Antes de pensar em como educar, convém esclarecer quais os resultados que se pretende obter.” Será objetivo do ensino do jornalismo ‘desmistificar’ (negar) ou aperfeiçoar (afirmar) o jornalismo? É neste sentido que podemos identificar velhas e novas tendências presentes em nossas escolas.

Já tem 35 anos a pesquisa sobre jornalismo  realizada pela American Newspaper Publishers Association, em 1971, mas algumas de suas constatações seguem atuais:

    “as faculdades se isolaram do mundo do jornalismo. A ênfase na análise crítica da mídia abalou a confiança dos estudantes, destruiu seus ideais e substituiu-os pelo cinismo”

    o divórcio entre meio profissional e acadêmico já tem várias gerações. Só 14% dos professores consideram importante fazer pesquisa para aprimorar a mídia.

O professor John Maxwell Hamilton, da Louisiana State University, afirmou em um debate, em  2001, que o custo das oportunidades perdidas por este divórcio estava ficando intolerável, pois um lado precisava do outro. E observava:

    A universidade se isolou da realidade graças a um sistema de auto-validação, e defende ciumentamente esta autonomia

    diferente das ciências humanas, a missão das escolas de jornalismo é formar práticos

    embora persigam o prestígio de outras disciplinas, as faculdades de comunicação não competem na criação de teorias próprias, só na aplicação

    os problemas estão aí para aplicação: tecnologia, financiamento, livre informação

    a indústria tem necessidade de pesquisa, se as faculdades de jornalismo não a fizerem, outros setores acadêmicos vão tomar este espaço.

Com isso ele reforçava as conclusões de um longo estudo concluído cinco anos antes, em 1996 e publicado com o título The Winds of Change, Challenges Confronting Journalism Education.

Esta pesquisa, patrocinada pelo Freedom Fórum, e coordenada pela jornalista Betty Medsger, ex-reporter do Washington Post, atualmente professora da Columbia, foi executada pela Universidade de Connecticut e ouviu por telefone 1041 jornalistas e 500 recrutadores de jornalistas nas empresas, além de fazer uma longa entrevista com 446 professores de jornalismo por email.

    A conclusão chegada foi de que “Os ventos da mudança são fortes”, e de que há dúvidas se eles vem para o bem ou para o mal:

    A principal tendência é a transformação dos cursos de jornalismo em comunicação, e a diminuição das disciplinas de jornalismo dentro delas

    Jornalistas e professores estão confusos sobre o que será a profissão no futuro

    Pressupostos de que o jornalismo é uma atividade intelectual e de que o jornalismo é fundamental para a democracia já não são consensuais

A pesquisa aponta para uma dicotomia e falta de integração entre a visão acadêmica e a profissional, já constatada por vários outros autores de nossa área em outros países:

     Ensino de Jornalismo ameaçado pela sobrevalorização dos PHDs em relação à experiência e à competência profissional dos professores como jornalistas.

     57% dos novos jornalistas dizem que seus melhores professores foram os que tinham experiência prática e não PHD, 31% dizem que os melhores eram os que tinham os dois

     Só 3% dos recrutadores reconhece competência nos professores de jornalismo sobre as novidades e tendências da atividade, e só 3% os consulta sobre estas questões.

     Os recrutadores tem visão diametralmente oposta às escolas sobre o que deve mudar no ensino de jornalismo. As sugestões deles não tem correspondência com o que as escolas estão pensando em fazer.

A pesquisa atribui grande parte do problema ao modelo norte-americano de avaliação das faculdades, uma certificação dirigida por uma associação de escolas:

    A certificação das escolas só valoriza aspectos acadêmicos e cobra pesquisa científica dos professores, enquanto as escolas que mais colocam jornalistas no mercado de trabalho tem menor percentagem de PHDs;

    O processo de certificação não considera ou considera pouco o que os jornalistas e professores mais valorizam: qualidade do texto dos alunos e do ensino de redação, qualidade dos órgãos laboratoriais, e ensino de ética.

    O processo de certificação limita as disciplinas específicas em no máximo 25% do currículo. 

As recomendações das visitas de certificação citadas são (USA):

    Escolas devem produzir mais pesquisa e ter mais doutores no corpo docente

    Pesquisa jornalística não tem validade

    Professores devem perder menos tempo com alunos

    Professores devem perder menos tempo lendo e criticando textos de alunos

    Professores devem escrever mais artigos acadêmicos e menos jornais universitários

Estes critérios, segundo o estudo, refletem o desprestígio da prática profissional que prevalece no meio acadêmico:

    Muitos professores consideram a prática como “ensino técnico”, desconsiderando seu aspecto intelectual

    Preconceito não tem paralelo em outras profissões de ciência aplicada, como na saúde, engenharia, administração, etc.

    Ridicularizam valores profissionais

    Consideram menos importante preparar jornalistas para a profissão

    52% dos novos jornalistas relata que algum professor lhe disse que a profissão não tem futuro ou está morrendo, e 63% que os professores consideram o jornalismo uma atividade degradada

A conclusão geral do estudo é de que o ensino do jornalismo está vulnerável por vários fatores:

·        À tomada do seu espaço pela ciência da Comunicação

·        A seu próprio fracasso para justificar e defender o campo

·        A sua dificuldade para emplacar na vida acadêmica

·        A seu complexo de inferioridade enquanto atividade intelectual

·        Ao descaso das organizações jornalísticas

E o Winds of Change deixa algumas recomendações para as escolas:

     Criar uma cultura jornalística

     Entender e usar as novas tecnologias sem perder o foco jornalístico

     Afirmar o jornalismo como atividade intelectual e os jornalistas como educadores

     Reconhecer os melhores jornalistas como presença necessária na comunidade acadêmica

     Motivar professores para pesquisas, escrever e publicar sobre jornalismo

     Desenvolver escolas de pensamento e prática

     Criar programas de pós-graduação focados no jornalismo

     Educar estudantes para pensar criticamente

     Preparar estudantes para serem profissionais de vanguarda

     Mudar os critérios de certificação

Cinco anos depois deste estudo, em 2001, a professora Loren Ghiglione, da Northwestern University, observa que as tendências se mantém:

    Muitas universidades americanas estão marginalizando o ensino de jornalismo - tiraram até o nome (recomendação de 1994)

    Há contradição entre buscar respeito acadêmico e atender necessidades dos alunos

E adverte:

    para a saúde da democracia, ensino de jornalismo tem que perseguir excelência, ser extremamente ambicioso

Aqui no Brasil, como já apontei em trabalhos anteriores, inclusive aqui no Fórum, ocorre um processo semelhante:

    A partir do Ciespal, Jornalismo é incluído na área de Comunicação, em busca de reconhecimento político e acadêmico;

    Descolamento da teoria com a prática e da pós-graduação em relação aos objetivos da graduação

    Ausência de áreas de concentração e linhas de pesquisa em jornalismo

    Rejeição crescente ao caráter aplicado da disciplina

    Conjunção de interesses da perspectiva acadêmica com o barateamento da universidade

    Processo de avaliação que já não certifica competência

Tanto aqui como lá, o jornalismo e seu ensino são colocados à prova pelo que uma escritora francesa chamou de “o horror econômico”, a quem interessa este barateamento de um e outro e que se caracteriza por alguns aspectos:

    Reducionismo prático, não teórico

    Produtividade em função de resultado econômico imediato (marketing, barateamento)

    Desregulamentação, desregulação

    Desarticulação reforçada pela ausência do interesse público como referência

    Direitos, garantias, progressos, suprimidos pelo interesse do capital

É surpreendente que haja uma conjugação de interesses entre esse capital e setores das ciências humanas representadas na universidade. Surpreendente porque são as ciências humanas que fazem uma crítica mais bem estruturada da dominação da sociedade contemporânea. São áreas acadêmicas sérias, bastante consistentes, mas que parecem às vezes perder o pé da realidade ao analisarem um objeto de que pouco entendem, como é o jornalismo, mas se sentem à vontade para fazê-lo porque esta é uma terra de ninguém. Aí, se transformam numa  crítica diletante. O mestre Paulo Freire já apontava algumas razões para esta falha:

    Teoria colonizada: outras perspectivas, outras realidades

    Distanciamento da realidade: balé dos conceitos, inversão de método

    Impotência teórica na pesquisa: irrelevância em relação aos problemas propostos

    Negação da realidade e do jornalismo

Mas se essa crítica vinga, é porque não encontra muitas vezes quem se contraponha seriamente a ela. A miopia tecnicista é uma doença ocular comum entre os profissionais que se tornam professores de jornalismo, e tem algumas características;

    Negação da possibilidade teórica: não distingue

    Rejeita a literatura e ignora a tradição em que poderia se apoiar

    Não critica, não cria: se deslumbra e reproduz

    Referência nos manuais sem compreender suas razões de ser

    Não resiste à crítica, torna-se desatualizada

    Não defende o território

Para complicar ainda mais, enfrentamos um vendaval tecnológico em que parece se confirmar a celebre frase de Marx sobre a modernidade, depois transformada em título de best seller: Tudo que é sólido desmancha no ar.

    O jornalismo na encruzilhada da informação: emerge ou submerge com a mídia

    Midiamorfose, re-mediação, interatividade, participação

    Empresas batem às portas das universidades, e não encontram o que necessitam

    Perspectiva de mutação desafia a ensinar novas coisas

    As escolas não têm claro o que nem como ensinar

Por isso, já há dez anos o professor Philip Meyer, da University of North Carolina, advertia que o jornalismo precisa de PHDs. A incerteza que acompanha a mutação tecnológica levava ele a resgatar a idéia da universidade humboldtiana (Berlim, 1810): só pesquisadores conseguem acompanhar o conhecimento em mutação. A unidade indissolúvel ensino-pesquisa é a única saída possível. O ensino e a pesquisa devem perseguir a qualidade do jornalismo – adotando uma perspectiva profissional. A dicotomia entre teoria e prática tem que ser superada.

         A perspectiva profissional pode ser caracterizada por algumas posturas:

    Valorizar a tradição e a cultura jornalística, recuperando a literatura específica

    Reforçar os valores da profissão (interesse público, liberdade, independência, busca da verdade, rigor, ética)

    Distinguir entre os objetivos da profissão (sociais) e os objetivos da mídia (comerciais) e da comunicação (privados)

    Defender o reconhecimento profissional (regulamentação e auto-regulação)

    Colocar as questões de pesquisa a partir desta perspectiva específica (distintiva e aplicada)

A professora Lana Rakow, da University of North Dakota, chama a atenção para a questão do profissionalismo:

    Velho debate: o que e como ensinamos

    profissionalismo identificado com performance, mas vai além

    Novo debate: por que e para quem ensinamos?

    Princípios profissões x indústrias

    Melhorar o padrão do jornalismo

    Cliente é o público, não a indústria

O professor Tom Jacobson, da  Buffalo University, observou no mesmo debate que

    Conhecimento essencial ao jornalista se tornou mais rigoroso e mais complexo

    Livros sacros do jornalismo devem ser preservados como livros sacros cristãos na Idade Média

Além disso, educadores como o brasileiro Paulo Freire apontam alguns desafios para essa perspectiva profissional:

    Abrir as caixas pretas das tecnologias (logos)

    Desvelar as técnicas enquanto ‘teorias cristalizadas’

    Inverter o método tradicional de produção acadêmica (prática-teoria-prática)

    Transformar cursos de comunicação em cursos de conhecimento (aprender a aprender)

    Ensinar a apreender a realidade (ler o mundo para reescrevê-lo) aproximando-se dela a partir de um lugar específico

    Perceber que a realidade não está dada, mas dando-se a partir desses desafios e do aprendizado que fizemos neste percurso, é possível sugerir alguns caminhos, que resumo num título que utilizei há alguns anos para discutir esta questão: crescer para cima e não para os lados. Na formação profissional,

    Consolidar competências x a tentação do ‘jornalista polivalente’

    A questão da assessoria de comunicação

    O universo da produção de conteúdo

    O profissional que aprende a escrever

    O desafio da gestão da informação e da gestão do conhecimento

    Maior consistência (na especificidade) gera maior adaptabilidade

    Distinguir profissão (funções exclusivas) de ocupações (funções compartilhadas)

Esta tarefa é facilitada pelo renascimento do jornalismo como campo acadêmico, que é muito claro aqui no Brasil:

    Espaço nas entidades: Fenaj, GTs Intercom, Alaic, Compós, FNPJ, SBPJor, ICA...

    Revistas Acadêmicas Especializadas: Pauta Geral,  PJ-Brasil, EJM, BJR, Journalism, Journalism Studies, EMP (Madrid)...

    Pós-Graduação em Jornalismo: UnB, UFSC, Unicamp, USP, UFSM...

    Project for Excellence in Journalism (Columbia, USA); The Reuters Institute for the Study of Journalism (Oxford, UK)...

-   Redes nacionais e internacionais

 No entanto, ainda há um longo caminho para o jornalismo ser levado a sério na academia, não tanto como propõe a professora norte-americana Barbara Zelizer, mas principalmente como o brasileiro Elias Machado, nosso presidente da SBPJor:

    Demarcar a sua especificidade epistemológica

    Elevar o nível de sua prática científica

    Não ignorar, mas recolocar as questões suscitadas pelos estudos de jornalismo realizados por outras disciplinas (desmistificar a desmistificação do jornalismo)

    Construir teorias e metodologias próprias

    Sistematizar, criticar (por dentro) e aperfeiçoar as competências (conhecimentos, habilidades, atitudes) da prática

Há também um caminho a percorrer para as escolas serem levadas a sério no meio profissional do jornalismo:

    Consolidar o jornalismo como disciplina de direito próprio

    Elevar o nível de sua prática científica

    Se aproximar da realidade

    Buscar respostas aos problemas relevantes para a profissão

    Projetar e construir competência profissional para o presente e o futuro, assumindo a vanguarda tecnológica

    Distinguir a qualidade no jornalismo, apontando erros e alternativas pragmáticas 

Por fim, gostaria de deixar esta impressão de que “passará a mídia, mas o jornalismo não passará”. Mas para que ele sobreviva à era da informação é preciso estarmos preparados, e esta preparação passa pela universidade:

     Não pode haver contradição nem distanciamento entre teoria e prática (se a teoria na prática é outra, está errada a teoria, dizia Adelmo)

     É possível que todas as formas de mídia e de seu controle que conhecemos hoje, inclusive a internet, desapareçam ou passem por transformações profundas durante a vida profissional de nossos atuais alunos, mas a informação e sua expressão vão continuar existindo e requerendo tratamento profissional.

     Não é razoável desprezar as competências técnicas, processuais, metodológicas e deontológicas desenvolvidas historicamente na profissão, que representam  seu principal patrimônio no novo contexto: em vez disso, é preciso sistematizá-las em teorias e modelos com base científica e aplicação tecnológica, antes que outros aventureiros o façam.

     É preciso ter claro que o jornalista é acima de tudo um intelectual e a capacidade crítica sua principal competência técnica.

     É preciso defender o território e lutar pelo crescimento do campo, pelo seu reconhecimento e auto-estima, recuperando o espírito de corpo, com competência teórica, pedagógica e técnica, de forma articulada, tanto a nível nacional  quanto internacional, através das entidades e redes profissionais, de ensino e de pesquisa. O Brasil tem hoje um papel de vanguarda nesta luta.

Referências: 
FENAJ
1997    Programa nacional de estímulo à qualidade da formação profisssional dos jornalistas.. Vila Velha, Fenaj.
2002  A Formação Universitária do Jornalismo. Florianópolis, Cátedra UFSC/Fenaj.
FORRESTER, Viviane
         1997 O horror econômico. São Paulo, Unesp.
LAGE, Nilson
1999 “A formação universitária dos jornalistas”. Palestra no II    Encontro Latino-Americano de Professores de Jornalismo, São Paulo.
2001 “O ensino e pesquisa do jornalismo no século XXI” Palestra de abertura do IV Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo. Campo Grande.
LÓPEZ, XOSÉ
2003 “Desafios na formación de comunicadores para a era dixital. Panorama diante da aplicación do documento de Bolonia: viaxe de Santiago ás capitais da Unión Europea”. Palestra ao I Encontro Nacional sobre Ensino de Jornalismo em Portugal. Braga, Universidade do Minho.
MEDSGER, Betty
1996 Winds of Change: Challenges Confronting Journalism Education. Arlington, The Freedom Forum.
MEDITSCH, Eduardo.
1992  O Conhecimento do Jornalismo. Florianópolis, EDUFSC.
2002 “Elementos para uma história do projeto pedagógico do Curso de Jornalismo da UFSC”. Comunicação ao VI Forum Nacional de Professores de Jornalismo. Porto Alegre.

2003 A formação para a praxis profissional do jornalista: uma experiência brasileira inspirada em Paulo Freire. Palestra no I Encontro Nacional sobre o Ensino de Jornalismo em Portugal. Braga, Universidade do Minho.

MELO, José Marques de
2000 “Jornalismo e universidade: uma longa história de conflitos”. Jornal da ABI, Especial 90 Anos.
2004  “Os primórdios do ensino de jornalismo”. Comunicação ao II Encontro Nacional da Rede Alfredo de Carvalho. Florianópolis, 2004.
MEYER, Philip
1996  'Why Journalism Needs PhDs', The American Editor,  September 1996
MOURA, Cláudia Peixoto de
2002 O Curso de Comunicação Social no Brasil: do currículo mínimo às novas diretrizes curriculares. Porto Alegre, EDIPUCRS.
NIXON, Raymond
1971 Education for Journalism in Latin America: A report of Progress. Minneapolis, Minnesota Journalism Center.
REESE, Stephen et al.
2001 “Education for Journalism and Communication in the Crossroad”. Journalism and Mass Communication Educator 56/3, Autumn 2001
RODRIGUEZ, Elena Real
2005  Un intento por clarificar los actos proprios del ejercicio periodístico. Estudios sobre el Mensaje Periodístico, 11, 129-151
THE ECONOMIST
2006  “Foresight 2020: Economic, Industry and Corporate Trends. A report from The Economist Intelligence Unit.” Disponível em http://a330.g.akamai.net/7/330/2540/20060418195140/graphics.eiu.com/files/ad_pdfs/eiuForesight2020_WP.pdf
TRAQUINA, Nelson
2004 O ensino de jornalismo perante os desafios da transição tecnológica. Palestra ao VII Forum Nacional de Professores de Jornalismo. Florianópolis, 2004
O trabalho deverá ter no mínimos 60 linhas, obedecendo as regras da ABNT:
Espaço da margem à esquerda de três centímetros
À direita de dois centímetros
Três centímetros no alto
Dois centímetros no "pé".