quarta-feira, 8 de maio de 2013

Aula de 08 de maio de 2013



Restrições verbais nos Leads

            Ao privilegiar as transformações que ocorrem no mundo objetivo, o lead, proposição principal da notícia, passa a obedecer as restrições verbais específicas. A primeira delas, segundo Lage, relaciona-se ao aspecto verbal.
            Na estrutura interna do lead clássico, como proposição completa tem como núcleo um sitagma verbal e contém um sujeito, complementos do verbo e quatro ou cinco circunstâncias. Assim, a regra específica de ordenação dessas notações compreende dois itens:
a)      Não se começa pelo verbo;
b)      Começa-se pelo sintagma nominal ou circunstancial mais importante.
Se a mais importante ou interessante é o sujeito ou a ação em si, usa-se a ordem direta, isto é, começa-se pelo sujeito.

Notícias sobre textos ou entrevistas

Segundo Lage, “é comum produzirem-se em jornais notícias com base em textos – de discursos, relatórios – ou entrevista de um personagem que considera importante citar por toda a matéria.
            “O procedimento, aí, obedece a uma sequência:
a)      ouve-se ou lê-se o depoimento ou texto, integralmente;
b)      assinalam-se as proposições principais;
c)      ordenam-se essas proposições principais da mais importante para a menos importante;
d)     constrói-se a matéria com a proposição mais importante, acompanhada das circunstâncias de produção do texto-base, ocupando o lea. Nos demais parágrafos, altternam-se construções em discurso direto e indireto. Varia-se, quando adequado, o verbo dicendi (disse, afirmou, declarou, pergutou, manifestou-se etc). Os entretítulos são distribuidos como em qualquer outra notícia destinada à veiculação impressa;
e)      segmentos de interesse secundário podem ser suprimidos ou reduzidos a uma frase referencial (do tipo historiou os antecedentes... ou e4specificou as despesas previstas...) Distribuem-se ao longo da matéria circunstâncias que não caibam no lead ou observações incidentais de uma entrevista noticiada.
           Este procedimento de resumo permite a produção de matérias de qualquer tamanho sobre texto-base ou entrevista, assegurando que as proposições mais importantes não sejam suprimidas.”
            Lage também explica que “no jornal moderno, destinado ao público em geral, os fatos são abordados mais por seu aspecto social, econômico ou político. Mas certos setores de atividade, como a informática ou o direito, interferem a tal ponto na vida das pessoas que se torna indispensável manter cobertura permanente, penetrando até em detalhes técnicos.”
            Lage também ressalta que “nem sempre a fonte é citada na notícia jornalística ou mesmo no lead. A menção torna-se dispensável quando se trata de informação não-polêmica, prestada por entidade ou em caráter oficial. A menção no lead é, pelo contrário, obrigatória quando a proposição citada é opinativa, interpretativa ou informa sobre tema controverso.”

A notícia hoje e amanhã

            Fazer notícia é mais fácil do que explicar como se faz. Lage diz que “aprende-se a escrever notícia como se aprende a andar: exercitando e levando tombos. Por isso, quem quiser ser jornalista deve ler por hábito e mante-se informdo; frequentar bons autores, a gramática e o dicionário; contar por escrito o que vê e pode ser interessante para alguém; resumir documentos; interrogar pessoas; colher e processar informações; vencer a inibição; cuidar de ser confiável. Tudo isso até ficar bom, muito bom, perfeito.”

Notícia e reportagem

            Apesar de ter escrito seu livro em 1985, Nilson Lage já intuia o futuro do jornalismo com a utilização do computador como meio. Naquela época ele já perguntava: “Terá longo futuro a notícia em jornal diário ?” Ele mesmo respondia: “ Provavelmente não. Sua sobrevivência, aí, depende do grau de conntrole político e do desenvolvimento da mídia eletrônica, que é mais veloz, eficiente e não gasta papel. Mas a notícia escrita sobreviverá em veículos especializados, ainda que chegue ao consumidor em via eletrônica, projetada em terminais de vídeo: para muitas áreas de conhecimento abstrato, a leitura ainda é a melhor maneira de adquirir informação sobre as transformações que ocorrem.”
Ele também acredita que “o futuro do jornal parece estar mais ligado à reportagem. Esta palavra tem dois sentidos: por um lado, designa o setor das redações que trata da apuraão e codificação de dados, em geral; por outro, um gênero jornalístico diferente da notícia por vários aspectos. O primeiro deles é que a reportagem não cuida da cobertura de um fto ou de uma séie de fatos, mas do levantamento de um assunto conforme ângulo preestabelecido. Noticia-se que um goveno foi deposto; fazem-se  reportagens sobre a crise político-institucional, econômica, social, sobre a reonfiguração das relações internacionais determinada pela substituição do governante, sobre a conspiração que levou ao golpe, sobre um ou vários personagens envolvidos no episódio etc.
Assim, podemos dizer que, na prática, o projeto do texto define-se a partir da pauta, que estabelecerá se teremos uma reportagem ou uma notícia. Em relção às notícias, as pautas são indicações de fatos programdos, da continuação (suíte) de eventos já ocorridos e dos quais se espera desdobramento. No restante, os istemas de captação de notícia mantêm contato permanente com os setores que registram primeiro acontecimentos de interesse público, desde o parlamento até a delegacia de polícia.
Reportagens supõem outra forma de planejamento. Os assuntos estão sempre disponíveis (a informação é matéria prima abundante, como o ar, e não carente, como o petróleo) e podem ou não ser atualizados por um acontecimento. Podemos citar como exemplo o STF (Supremo Tribunal Federal). Faz-se uma reportagem acerca do julgamento do mensalão. A pauta deve indicar de que maneira o assnto será abordado, que tipo e quantas ilustrações, o tempo de apuração, os deslocamentos da equipe, o tamanho e estilo da matéria; para tudo isso, é preciso dispor de dados. Se possível, deixar fontes de sobreaviso para consultas em relação ao regimento interno da corte e das leis.
O estilo da reportagem é menos rigoroso do que o da notícia: varia de acordo com o veículo, o público, o assnto. Podem-se dispor as informações por ordem decrescentes de importância, mas também narrar a história, “como um conto ou fragmento de romance”, diz Lage. Nas revistas ilustradas, é comum o editor tomar como ponto de partida para os textos as fotografia (muitas vezes o editor se preocupa mais com as fotos do que com o texto); em certos casos, admite-se que o repórter conte o que viu na primeira pessoa. A linguagem também é mais livre. Alguns autores, poucos, adotam técnicas literárias para a abordagem mais humana e reveladora da realidade.
Exitem reportgens onde predominam a investigação e o levantamento de dados (como o caso de Watergate); em outras, a interpretação. Neste caso, é comum que apenas os jornalistas especializados sejam os responsáveis na interpretação de dados, pois envolve uma certa competência analítica que poucos realmente têm e muitos, segundo Lage, “por presunção, se atribuem.”
De qualquer maneira, existe sempre alguma interpretação nas reportagens. O importante é que se respeitem os fatos, dos quais não se pode discordar, e se de ao leitor, com humildade, o direto de avaliá-los segundo seu próprio repertório, seus valores.

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