Os sertões (Euclides da Cunha)
A
importância dessa obra de Euclides da Cunha para o Jornalismo não é o fato de
ser um livro épico de nossa literatura, tampouco por sua redação, menos ainda
por ser um livro que retrata parte da história do Brasil. Para formação de um
jornalista, “Os sertões” retrata com detalhes as origens de Canudos e a vida
daquele povo.
Vale ressaltar que Euclides
da Cunha escreveu esse romance depois da Guerra dos Canudos, que cobriu como
enviado do jornal Província de São Paulo, hoje O Estado de São Paulo, em que
escreveu acerca da guerra sob o ponto de vista oficial. Provavelmente sem
perceber. O livro é uma espécie de mea culpa, após se dar conta do
ocorrido, principalmente pela forma com que a guerra terminou.
Assim,
percebendo que escreveu sem um olhar crítico necessário para que as pessoas
entendessem melhor o que acontecia, resolveu, sob um novo olhar, descrever o
que ocorrera.
Os sertões também serve como
parâmetro de uma grande reportagem. A sua leitura, por alunos de Jornalismo,
deve ter um olhar acerca das diferenças da população daquela região, como, por
exemplo, o atraso e a miséria, se comparado com São Paulo e Rio de Janeiro.
Quantos jornalistas escrevem acerca da miséria tendo como referência os grandes
centros ou as cidades que recebem mais recursos e atenção dos governantes ?
No caso desse livro, será que Euclides da
Cunha percebeu que existia uma grande distância dos anseios e necessidades dos
que viviam em Canudos ? Será que recebiam a mesma atenção do Estado, antes e
depois da proclamação da República ?
Alguns
críticos dizem que os importantes questionamentos e grandes formulações
históricas, antropológicas, sociológicas e políticas para compreender o Brasil
tiveram nesse livro o embrião das discussões.
Nessa
obra, Euclides da Cunha inclui importantes detalhes que devem fazer parte de
uma reportagem: descrição da vida e a valentia de um jagunço, as condições de
vida de um sertanejo, a geografia, a geologia e a zoologia. Incluindo uma
análise dos aspectos da sociedade brasileira.
Ao
contar a fixação dos sertanejos no arraial de Canudos, o autor descreve como
viviam cerca de 20.000 pessoas no local.
Este resumo de informações
indica que o livro deve ser lido como uma grande aula de reportagem, mostra a importância
da pesquisa para dar embasamento, além da necessidade de verificar que
informações podem ser inseridas para dar melhor formação ao leitor.
Pelos
motivos acima, o livro “Os sertões” foi recomendado desde o primeiro dia de
aula. Vale ressaltar que o mais importante na formação de um jornalista é ele
mesmo; o que pretende fazer com o que aprendeu.
O
professor é um orientador, o aluno seu próprio formador. O grande mestre, a
vida. O que se espera dela é que orientará seus deveres.
Nenhum comentário:
Postar um comentário