terça-feira, 25 de junho de 2013

Porquê ler "Os sertões"



Os sertões (Euclides da Cunha)

         A importância dessa obra de Euclides da Cunha para o Jornalismo não é o fato de ser um livro épico de nossa literatura, tampouco por sua redação, menos ainda por ser um livro que retrata parte da história do Brasil. Para formação de um jornalista, “Os sertões” retrata com detalhes as origens de Canudos e a vida daquele povo.
Vale ressaltar que Euclides da Cunha escreveu esse romance depois da Guerra dos Canudos, que cobriu como enviado do jornal Província de São Paulo, hoje O Estado de São Paulo, em que escreveu acerca da guerra sob o ponto de vista oficial. Provavelmente sem perceber. O livro é uma espécie de mea culpa, após se dar conta do ocorrido, principalmente pela forma com que a guerra terminou.
       Assim, percebendo que escreveu sem um olhar crítico necessário para que as pessoas entendessem melhor o que acontecia, resolveu, sob um novo olhar, descrever o que ocorrera.
Os sertões também serve como parâmetro de uma grande reportagem. A sua leitura, por alunos de Jornalismo, deve ter um olhar acerca das diferenças da população daquela região, como, por exemplo, o atraso e a miséria, se comparado com São Paulo e Rio de Janeiro. Quantos jornalistas escrevem acerca da miséria tendo como referência os grandes centros ou as cidades que recebem mais recursos e atenção dos governantes ?
 No caso desse livro, será que Euclides da Cunha percebeu que existia uma grande distância dos anseios e necessidades dos que viviam em Canudos ? Será que recebiam a mesma atenção do Estado, antes e depois da proclamação da República ?
         Alguns críticos dizem que os importantes questionamentos e grandes formulações históricas, antropológicas, sociológicas e políticas para compreender o Brasil tiveram nesse livro o embrião das discussões.
         Nessa obra, Euclides da Cunha inclui importantes detalhes que devem fazer parte de uma reportagem: descrição da vida e a valentia de um jagunço, as condições de vida de um sertanejo, a geografia, a geologia e a zoologia. Incluindo uma análise dos aspectos da sociedade brasileira.
         Ao contar a fixação dos sertanejos no arraial de Canudos, o autor descreve como viviam cerca de 20.000 pessoas no local.
Este resumo de informações indica que o livro deve ser lido como uma grande aula de reportagem, mostra a importância da pesquisa para dar embasamento, além da necessidade de verificar que informações podem ser inseridas para dar melhor formação ao leitor.
         Pelos motivos acima, o livro “Os sertões” foi recomendado desde o primeiro dia de aula. Vale ressaltar que o mais importante na formação de um jornalista é ele mesmo; o que pretende fazer com o que aprendeu.
         O professor é um orientador, o aluno seu próprio formador. O grande mestre, a vida. O que se espera dela é que orientará seus deveres.

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